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terça-feira, 13 de outubro de 2009

ANDRAndo pelo sul de Minas...


"Você é escalador?...
Existem umas 'pedrinhas' em um lugar aqui em Andradas...
Quer ir dar uma olhada?",
disse a namorada de um escalador paulista em 1997.

Não botando muita fé, lá foi Renato Affonso até o bairro rural do Pântano ver do que se tratava...

Já da estrada, um elefante gigante destacava-se em formato de pedra...
Pouco depois, descobriu-se que a escalada já era praticada na tromba do 'elefante' pelo escalador Pedro Zeneti (Jacaré) e sua turma desde 1994.


Um pouco mais à frente, as Pedras do Boi e a do Pântano fazem cair o queixo e suar as mãos...


A região de Andradas é mais uma das regiões de escalada desse Brasil que eu ainda não conhecia, localizada no sul de Minas, a mais ou menos 230 km de São Paulo.

Partindo de São Paulo, pegamos a Rodovia dos Bandeirantes até a saída para a Anhanguera na altura de Jundiaí, seguindo pela mesma até o km 83, onde pegamos a saída para a Rodovia D. Pedro, já na altura de Campinas. De lá, pegamos a saída para a Rodovia Ademar de Barros, passando por Mogi Mirim e Mogi Guaçu, acessando logo depois a saída para Andradas.

As pedras e o abrigo estão localizadas no bairro rural do Pântano, a aproximadamente 25 km da cidade.

Antes de chegar ao 'cenário natural de pedra', demos uma paradinha básica na Vinícola Casa Geraldo, localizada logo no início da estrada que liga Andradas a Ibitiura de Minas.

Minha expectativa não era muito grande, apesar de ter a certeza que memso assim eu provaria alguns tintos...

Eis a nossa enorme surpresa ao degustar alguns e apreciar muito um cabernet sauvignon 2008 bem honesto!

Após uma explicação super atenciosa e acolhedora de um dos enólogos, levamos 3 garrafas, impressionados não só com a qualidade, como com o preço.

Perguntei ao especialista porque eles não vendiam os produtos em supermercados em São Paulo e ele explicou que não davam conta de manter a qualidade e produzir a quantidade suficiente requerida para estar neste mercado...

Sorte de quem passa por lá e pode conhecer esse trabalho e essa delícia preparada com tanto cuidado... Confira o site do restaurante e vinícola:
http://www.casageraldo.com.br/

Devidamente alimentada e relaxada, seguimos para o abrigo, na expectativa das escaladas no dia seguinte.

Exatamente como eu havia lido em alguns artigos, a região é lindíssima e oferece um número enorme de vias para todos os gostos, com vias tradicionais não muito longas (maioria variando de 3 a 5 cordadas - de 150 a 200 metros), mas vias exigentes.

Minha introdução em Andradas começou na Pedra do Pântano, mais especificamente na via "Monstro do Pântano" - VI tranquilo e uma boa opção para aquecer e aclimatar para a via de mais comprometimento que nos aguardava...



... ANDRAgônia é uma via de 7º grau, com alguns crux de 7b beeeem exigentes, distribuídos por 180 metros e 5 cordadas, aberta pelos escaladores Filippo Croso, Rodrigo Zuccon e Marco Nalon em 2007.


Como a via foi conquistada em meados de janeiro, com ventos e chuvas 'Patagônicas' nos finais das tardes de verão, eis que surgiu o nome que mescla ANDRAdas com PataGÔNIA...



Eu diria que o nome imponente da via combina exatamente com o comprometimento que ela exige mesmo em um dia ensolarado como o que nos contemplou nesse domingo... Concentração indispensável principalmente para mim, escaladora mais acostumada a negativos, agarras maiores, com uma utilização de pés diferente...

Esse estilo de escalada me desafia muito, pois o sofrimento físico é bem diferente do que sinto na escalada esportiva...
Porém, da mesma forma, existe a superação após um caminho árduo... sensação que sempre me completa!

Na Andragônia, o estilo vertical e muitas vezes positivo requeriu (mais uma vez) um trabalho técnico e delicado de toda minha estrutura... E me fez admirar ainda mais escaladores (como meu parceiro Filippo Croso) que guiam com foco e aparente naturalidade esse tipo de desafio.
Nada como estar aclimatado durante anos com uma realidade!!!!

Legal lembrar que para descer da via, o ideal são duas cordas de 60 metros 'emendadas', pois as cordadas são de mais ou menos 40 metros cada uma e uma das paradas é em móvel (sem parada fixa para rapel).

Outra opção de rapel é chegar ao topo da via, e descer pela parada final da via "Pão Francês" (à esquerda da Andragônia), com paradas que possibilitam a utilização de apenas uma corda.

Confiram mais um relato sobre essa via no blog do amigo Pedro Hauck - http://www.pedrohauck.net/2009/05/escalando-em-andradas.html(ALTA MONTANHA), escalador que tivemos o prazer de encontrar nesta trip em Andradas, ao lado de Hilton Benke, Samanta Shu, Otávio e Camilo Rebouças, entre outros, com óootimas prosas durante as comilanças no abrigo!! (http://www.abrigopantano.com)

Mais um parceiro de conversê (sobre escalada e vinho) em Andradas foi o escalador Davi Marski http://www.blog.marski.org/?p=1065, que essa semana traz em seu blog não só a visita à região, como o encontro com uma cascavel (sem picada, por sorte), e o link para um texto bacana que fala sobre o que fazer (e o que não fazer) caso ocorra uma picada.

No dia seguinte, foi minha vez de guiar uma das poucas esportivas do Pântano - "Universo Paralelo" - 7a super técnico, vertical, com 14 costuras, tijolante quando não se acha as pequenas agarras rapidamente!!
Amei!!!!

Para não tirar o gostinho de Andradas, vale lembrar que o início desta via utiliza proteções móveis (camalot 0.4 e 2) em um trecho delicado antes da primeira chapeleta(Não é legal cair aí.... rsrs), a partir de onde inicia-se o estilo esportivo bem protegido.

Na sequência, fechamos o dia antes da chuva 'andragônica' chegar, escalando a MARAVILHOSA "Tendências Sociofóbicas" - uma via que entra em um diedro perfeito, requerindo alguns espacates insanos, força, concentração e conhecimento na colocação de móveis na fenda do diedro (camalots do n. 0.3 ao 1, e algumas nuts pequenas/médias).


Desacostumada com essa movimentação de diedro, confesso que tijolei os glúteos... kkkkk..
Umas das vias mais incríveis e visuais do Pântano!!!
Obrigada Filippo pela parceria e guiada em mais esse caminho pela vertical!!!

Em breve poderemos adquirir um guia de Andradas, sendo finalizado pelo Pedro Zeneti (Jacaré), Daniela Lopes e Filippo Croso, com todas as dicas e croquis para escalar na região.

Valeu a todos pela ótima vibe deste feriado...Ainda este ano espero poder voltar à Andradas para escalar no Elefante, no Boi, no Pântano e rever os amigos da floresta!!! hehehe

Beijos e muita luz,

Janine

Um comentário:

Davi Augusto Marski Filho disse...

Muito legal o texto. A "vibe" de andradas é tudo de muito bom...

Abrigo lotado, diversão garantida, escaladas bonitas, conversa boa...

Adorei as fotos também !

... "Superfície azul do céu, asas em curva de dores, Fernão Capelo levanta e voa, porque voar é importante, mais que comer e viver.

Caro é pensar diferente, viver em infinitos, voar dias inteiros só aprendendo a voar. Gaivota que se preza tem de sentir as estrelas, analisar paraísos, conquistar múltiplos espaços.

Gaivota que se preza precisa buscar perfeição. Importante é olhar de frente, em uma, em dez, cem mil vidas.

... nada é limite: voa, treina, aprende, paira sobre o comum do viver.

Se o destino é o infinito, o caminho é nas alturas!"

(Fernão Capelo Gaivota)

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"Time stand still... I'm not looking back, but I want to look around me now, see more of the people and the places that surround me now...Time stand still...Freeze this moment a little bit longer, Make each sensation a little bit stronger, Experience slips away...The innocence slips away..."

(Rush and Climbing - since 1993)

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