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"Diga-me e eu esquecerei. Mostre-me e me lembrarei. Envolva-me e eu compreenderei." (Confúcio)

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

'Life Skills' : Saco do Mamanguá - Joatinga


Olá!

Há exatamente 22 anos atrás, estava eu em uma quadra de educação física realizando fotos para um trabalho escolar de educação artística.

O trabalho consistia em realizar alguns movimentos corporais e mantê-los estáticos para que o professor fotografasse.

Posteriormente, na sala de artes, cada aluno receberia essa foto de si mesmo, sem nenhum contexto exterior que interferisse.

Orientados a aplicar uma técnica de naquim pontilhado, criamos um cenário em harmonia com aquele movimento fotografado, concluindo o trabalho de educação artística do 1º ano do ensino médio.

FOTO:
Sem absolutamente nenhuma idéia prévia e sem saber para que serviria aquela foto, coloquei meu corpo em uma posição ereta, de pé, com uma das mãos no peito e uma das pernas levemente flexionada fora do chão.

Pelo que lembro, dei muita risada e senti muita vergonha em ter que me expressar daquela forma em frente aos colegas de classe, aparentemente, sem uma razão, sem direcionamento...
Mas, enfim, a foto saiu.

Com ela revelada e poucos segundos de reflexão sobre aquela imagem de minha MÁQUINA física, visualizei-me em um trilha de pedras, com uma montanha ao fundo e uma mochila nas costas.

E essa foi minha 'obra de arte' criada em nanquim com 13 anos de idade.

Lembro-me, inclusive, de um colega que projetou sua foto, criando um desenho dele sentado em uma privada... kkk...
Será que nesses anos todos ele fez muita 'cagada' na vida??? hehehe

Só sei que eu sempre me senti viva com uma mochila nas costas, podendo carregar meu mundo em contato com a natureza, explorando, dividindo e relembrando aventuras.

Esse meu prazer nunca foi em busca de performance ou de um corpo bonito, pois com 13 anos não estava preocupada com isso.
Tão pouco estava eu em busca de provar alguma coisa a alguém, a não ser, quem sabe, a mim mesma.

Através de aventura, sempre senti uma manifestação 'divina' pulsando da alma, enchendo-me de verdade e vida.

Essas memórias tem se manifestado cada vez mais intensamente em minha memória, principalmente pelo contato profissional que tenho tido com alunos do ensino médio em viagens para a natureza.

Unindo essa minha paixão a muito trabalho, auxiliei na última semana em mais uma viagem organizada pela TREEHOUSE, atuando também como guia de um grupo de alunos de 14 anos.
http://www.treehouse.com.br

O destino escolhido pela escola para colocar em prática mais um programa LIFE SKILLS foi o Saco do Mamanguá, paraíso escondidinho na região de Paraty, onde aspectos como cooperação, respeito, independência, comprometimento e prática da língua inglesa foram avaliados.


Lidar com crianças de qualquer idade é infinitamente fascinante pela diversidade de personalidades e posturas apresentadas.

Em meio a tudo isso, não vou muito fundo em psicologias da educação para escolher a que mais me identifico e acredito, psicologia baseada na motivação e no envolvimento do indivíduo.

Qualquer ser humano, principalmente crianças, encontram forças para seguir em frente quando sentem amparo, confiança, carinho, dedicação e firmeza de um semelhante mais experiente.

E tudo isso começa com o diálogo, doando sabedoria, e em caso mais extremos, rumamos para posturas mais rígidas que levam a 'punições' naturais, onde o indivíduo passa por perdas para compreender e valorizar os ensinamentos.

No final de tudo isso, mesmo com uma rotina pesada de acordar muito cedo, preparar café da manhã, montar mochila, caminhar por horas, montar acampamento, cozinhar com cansaço e fome, o jovem encontra virtude e paixão em cada ato, principalmente se ele tiver uma motivação e sentir carinho de quem o orienta....
E dá-lhe orientações!!!

Em tais viagens, acordamos ainda mais cedo que os alunos para deixar tudo no esquema para que eles coloquem a mão na massa...

Nosso sono dos deuses somente acontece quando todos estão quentinhos e calados em seus sleeping bags... Missão demorada ao lidarmos com um grupo de alunos que não desliga facilmente sofrendo com o desconhecido, em meio à sobrevivência em um mundo, para eles, 'selvagem'.

Divididos em times, além de prapararem o cardápio previamente produzido por nós, meninos e meninas lavam a louça e aprendem a valorizar cada trabalho.

Nessa trip, lembro-me de diversas situações orientando os alunos, com muitos detalhes que me enchem de satisfação.

Dentre elas, lembro-me de orientar uma estudante no 'simples' ato de cortar um mamão para o café da manhã:
"Nossa, eu nunca fiz isso Miss, não sei fazer.", disse uma das alunas que, dentre outras coisas supérfluas para um acampamento, levou uma PANTUFA na sua mala de rodinhas. kkk

Com carinho, demonstrei a ela o início da tarefa, entregando posteriormente a faca e a fruta na sua mão.
Em alguns segundos, a menina que esbravejava não saber fazer aquilo, focou-se na tarefa. Logo percebi nela uma enorme satisfação em realizar tal atividade que, sem dúvida alguma, alguém sempre fez para ela.

Nada como se sentir útil e vencedor colocando a mão na massa, seja cortando um mamão, seja alcançando um destino com as próprias pernas após muito suor...

Assim como essa jovem, alguns tiveram que aprender pela dor e pelo cansaço que, por exemplo, uma mala enorme e pesada de rodinhas não combina com uma viagem de trilhas e pela praia, onde cada um tem que carregar o que leva.

Neste caso, faço uso mais uma vez do perfeito provérbio que 'abraçamos' na TREEHOUSE:
"Diga-me e esquecerei, mostre-me e me lembrarei. Envolva-me e eu compreenderei"... uma vez que em uma palestra escolar para briefing dessa viagem, um de nossos guias DISSE, DEMONSTROU e enviou uma lista completa de tudo que levar e NÃO levar para esta trip...

Mas como "o ser humano aprende pelo amor ou pela dor", alguns tiveram que sofrer para aprender, carregando suas mochilas.

É claro que, dentro do nosso trabalho como guias e organizadores está prever tudo isso. E para não traumatizar a criançada, a TREEHOUSE contratou barcos para transportar o que, nestes casos, é impossível carregar pela trilha.

Mesmo assim, a retirada da bagagem dos barcos ficou por conta do 'passageiro' após a trilha, que sofreu multa por 'excesso' na avaliação final do programa escolar.

Entre perrengues e suor, os alunos descobriram muita vida através de belezas naturais desta reserva natural.

"Ai, 'tia', nem olha para mim... Estou horrível", disse uma das alunas no final da primeira trilha, sentindo o suor misturando-se ao seu cabelo despenteado.
"Você está linda suada", respondi a ela.

E como eu estava sendo sincera!!! Ela estava ainda mais bonita de quando havia começado a trilha. Porém, ela não tinha espelhos para enxergar sua beleza... Ainda estava presa a um padrão, a um tipo de beleza exterior que a limitava de viver aquele momento plenamente.

O primeiro dia de viagem sempre é marcante por gritinhos na trilha, por posturas mais inadequadas de um público que definitavemente não está acostumado ao montanhismo, e geram nos instrutores pequenos insights da vivência que acontecerá com cada aluno daquele grupo nos próximos dias.

Já o segundo dia é marcado por uma postura mais instrospectiva e muito mais foco dos alunos, direcionados pelo corpo de guias e professores.

TRIP
Nesta viagem, partimos em uma trilha que sai de uma das praias do SACO DO MAMANGUÁ (após uma caminhada até ele) em direção à praia da Joatinga, onde acampamos na 2ª noite.

Esta chegada foi o ponto alto da viagem para a maioria dos alunos que demonstraram muito mais comprometimento e seriedade no meio da mata atlântica.


Instalados, os alunos puderam desfrutar de um pouco de tempo livre para descansar, visitar a cachoeira e mergulhar no mar antes de prepararem o jantar.

À noite, a chuvinha deu um gosto maior de aventura, ensinando aos alunos o quão fundamental é a organização adequada de seus pertences para que eles não molhem.

Ao fim de mais essa vivência profissional, uma certeza:
Cada aventura como essa é inesquecível na vida dos jovens, pois é realizada em uma fase na qual influências externas podem ser mais facilmente eliminadas, permitindo reflexões e descobertas mais puras.

E através de um canal aberto de comunicação, cada insight de descobertas, cada vida, soma-se à minha, à sua, à nossa vida, formando uma só força.


Obrigada a todos pela oportunidade de guiá-los e tê-los como companhia em mais essa aventura.
Saudades e até a próxima!

beijos,
Janine

2 comentários:

Davi Augusto Marski Filho disse...

adorei o texto e tudo o mais ! putz... deu até vontade de estar junto !

Parabéns !

Santiago J.Jones disse...

belo blog, e bela atividade e pensamentos... Parabéns!!

... "Superfície azul do céu, asas em curva de dores, Fernão Capelo levanta e voa, porque voar é importante, mais que comer e viver.

Caro é pensar diferente, viver em infinitos, voar dias inteiros só aprendendo a voar. Gaivota que se preza tem de sentir as estrelas, analisar paraísos, conquistar múltiplos espaços.

Gaivota que se preza precisa buscar perfeição. Importante é olhar de frente, em uma, em dez, cem mil vidas.

... nada é limite: voa, treina, aprende, paira sobre o comum do viver.

Se o destino é o infinito, o caminho é nas alturas!"

(Fernão Capelo Gaivota)

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"Time stand still... I'm not looking back, but I want to look around me now, see more of the people and the places that surround me now...Time stand still...Freeze this moment a little bit longer, Make each sensation a little bit stronger, Experience slips away...The innocence slips away..."

(Rush and Climbing - since 1993)

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