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sábado, 29 de maio de 2010

5550m no Cotopaxi...

+ Escalada Esportiva: THE NORTH FACE OPEN DE BOULDER

http://www.thenorthface.com.br/blog/?p=2192

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Buenas!
Após nossa participação no Campeonato Continental de Escalada de dificuldade e boulder aqui em Quito, e da subida do RUCU PICHINHA, a 4700m de altitude (fotos abaixo com Anisa Duran, Margarita Cardoso e Pablo Bennedict!), eu, Cesinha e Ricardo Leizer partimos na última terça-feira para a escalada do Vulcão Cotopaxi.


Acompanhados do escalador equatoriano Hernand, da agência Yanasacha (nome indígena que por curiosidade é o nome de uma parte rochosa do Cotopaxi), provamos nossas botas rígidas, conferimos todo o equipamento necessário e rumamos para o Parque Nacional Cotopaxi localizado a 75 km de Quito ainda pela manhã...

Já no parque, deixamos o carro no 'parqueadero' do vulcão (estacionamento localizado a 4600 metros) e iniciamos a caminhada para o refúgio (4800 m).
Instalados aí, nada de dor de cabeça para mim, com todos ingerindo sempre muito chá para manter uma boa hidratação. Vale lembrar que a água do refúgio deve ser sempre fervida, por causa do grande número de montanhistas que chegam ali, aumentando o risco de contaminação ... Sendo assim, é indicado que cada montanhista leve no mínimo 2 litros de água para cima...

Antes do jantar, realizamos uma caminhada de 45 minutos, na qual conforme o altímetro chegamos a 5.000 m... Foi uma ótima aclimatação para descer novamente ao refúgio e dormir (ou tentarmos dormir) algumas horinhas até a meia-noite, horário que partimos para o 'ataque'...

Eu não dormi quase nada... Finalmente, conheci essa realidade de dormir na altitude, de acordar sem ar... Já sabendo que isso era normal, pensei: "Pelo menos, nada da tão comentada dor de cabeça por enquanto!"...

Enfurnada confortavelmente no meu sleeping bag da THE NORTH FACE – 7, mais do que suficiente para ficar quentinha e descansar no belixe do refúgio, não via a hora de partir, escutando o zum zum zum dos outros montanhistas se organizando por ali....

Até então, meus problemas para dormir se resumiam à ansiedade pré-competição ou à hiper atividade por causa de treinos realizados tarde da noite... rsrsr...

Empolgados, tomamos nosso 'desayuno' pouco após a meia noite e partimos para ‘arriba’, na primeira hora da quarta-feira, dia 26.

A TENTATIVA DO GRUPO
Com nossas lanternas acesas, seguimos pelo trecho de terra vulcânica até mais ou menos 5050 metros, onde paramos para colocar nossos crampons e nos encordarmos, já sentindo o início de um vento forte que marcava a noite...

"jejeje, Viento... Teremos mutcho viento... ", disse nosso guia, com um sorriso no canto da boca, já nos alertando que a ‘brincadeira’ seria um pouco mais ‘dura’...
Mantendo minha mente alerta a uma respiração ritmada e profunda, conectada ao meu corpo, eu seguia adiante experimentando a plenitude desta montanha...

Com a nevasca aumentando, subi a balaclava, coloquei outra luva sem dedos por cima de uma mais fina e 'Vamu que vamu'! Que delícia!

Aos poucos, a noite aberta com as luzinhas de Quito ao longe, com o contorno das montanhas ao redor foi sendo substituída por baixa visibilidade...

Encordados, Hernand na frente, eu em 2ª, Cesinha em seguida e Ricardo por último, iniciamos a subida pelo glaciar...

Como as botas do Cesinha eram semi-rígidas, paramos mais uma vez um pouco acima para que ele colocasse outra meia, na tentativa de reverter uma sensação desconfortável de congelamento dos dedos... Feito isso, continuamos seguindo fortes...

"Isso que dá eu me meter com um bando de atletas", resmungou enfim nosso companheiro Ricardo Leizer, nos divertindo durante o trajeto, após percorremos mais uns 100 metros ...
Leizer é um montanhista experiente, tendo realizado montanhas como o Pisco e Alpamayo no Peru, Elbrus na Rússia, Kilimanjaro na África, tendo feito parte do 1ª grupo brasileiro a escalar o monte Tronador na Argentina, integrante da 1ª equipe brasileira a realizar o Passo Marcone e Passo de Los Vientos em Chalten, entre outros...

Este ano, porém, em uma fase de trabalho intensa, resolveu encarar mais esta montanha sem preparo físico... O desejo de escalar existia, mas, sem dúvida, essa experiência por aqui o fez lembrar que corpo e mente não caminham separados por muito tempo...

Enquanto isso, tentando adaptar todos os ritmos do grupo, com muita neve caindo, continuamos a subida...
O Cesinha já sentia seus pés menos congelados e nosso grupo mantinha-se unido...
Até esse ponto, vimos alguns grupos desistindo e retornando ao refúgio, o que, até então, estava fora de cogitação para mim...

Ultrapassamos algumas pequenas gretas, fui descobrindo aos poucos a melhor forma de pisar com o crampom na neve em uma inclinação de uns 60 graus, vidrada nas pegadas e passos do meu guia.

Porém, perto dos 5500 metros, Hernand nos alertou que não podíamos seguir com aquele ritmo, parando para esperar, e que o clima iria piorar mais acima...

Nos 5550 m, chegamos a uma cova muito legal, abrigada do vento, onde poderíamos descansar um pouco e tocar pra cima.
Porém, levando em conta o ritmo do grupo até então e o clima lá fora, a decisão foi retornar.

Descemos rapidamente até o refúgio com um vento cortante que agora batia de frente no rosto... Na verdade, nesse momento, sentir a nevasca forte era um mínimo detalhe... Confesso que, sem hipocrisia, difícil era a ideia ainda fresca na memória de não ter continuado... rsrs

Contudo, aos poucos, eu lembrava que a "montanha continuaria ali", e que minha introdução na alta-montanha tinha contado com um fator inesperado que faz parte de muitas tentativas, a parceria.

Além do processo introspectivo e da força física necessária em toda escalada, o espírito de solidariedade, a meu ver, é um fator inerente à pratica do montanhismo, principalmente neste caso, no qual não armamos uma logística onde um integrante pudesse descer sozinho ou acompanhado de outro guia.

Sendo assim, retornamos ao refúgio após 6 horas desde nossa partida, com a certeza de querer um dia voltar...

Introspectivos, cada um de nós percorreu o caminho de volta para Quito com seus respectivos pensamentos, perspectivas, lembranças, prospecções, sensações... Sem dúvida, assimilando essa experiência de uma forma única...

Para mim, mais uma vez experimentei o desconhecido, e de certa forma, a vontade de seguir em frente deixou um gostinho de quero mais...

Valeu muito cada momento parceiros!

Obrigada à THE NORTH FACE por estar conosco em cada momento durante toda essa nossa vivência aqui no Equador...

A jaqueta Thunder, coberta pelo anorak Venture seguraram completamente o frio, mantendo-me aquecida fulltime!

Aproveito para parabenizar o casal de montanhistas Manoel Morgado e Andrea Cardona que fizeram o cume do Monte Everest nesse último mês, e Máximo Kausch que pela segunda vez atingiu o cume do Cho Oyo...
Agora entendo um pouquinho mais o que vocês vivem “lá em cima”... rsrs...

De volta ao Brasil, o próximo desafio para nós será o OPEN de boulder THE NORTH FACE que acontece daqui a duas semanas (dia 12 de junho) no ginásio de escalada CAMPO BASE, em Curitiba, com a presença do americano Daniel Woods, atleta também patrocinado pela marca.

Além do campeonato, o evento terá um desafio de bote com premiação.
A premiação para os boulders será:
R$ 1000,00 primeiro lugar
R$ 500,00 segundo lugar
R$ 300,00 terceiro lugar

É hora de voltar à escalada esportiva com muita paixão, pois esse Open promete ser um show de escalada para os apaixonados pela prática do boulder!!!

Abaixo, mais umas fotos dos boulders femininos do campeonato continental, para pilhar-nos bastante para esse desafio no Brasil!!



Kmon!!!

“Em cada lance o escalador vivencia a adrenalina da sua escolha, enfrenta a dúvida e a possibilidade da queda, sente a necessidade de concentração e do trabalho conjunto da técnica, da força e da cabeça.
No alpinismo, cada um decide também como quer escalar, escolhendo a montanha, a via, a rota, se quer escalar sozinho ou com mais parceiros e opta pelo estilo.

UMA MESMA ROTA PODE SER UM PASSEIO PARA UM E A EXPEDIÇÃO DE VIDA PARA OUTRO.
O desafio do alpinismo é mental, está na cabeça de cada um.”
(Relembrando entrevista com Vitor Negrete, Revista Go Outside: http://gooutside.terra.com.br/Edicoes/8/imprime14023.asp

Agradecimentos ao Ricardo Leizer que trabalhou paca´s no Equador, clicando com muita arte esses momentos aqui na 'mitad del Mundo'!
Valeu!!!

Boas escaladas e saludos a todos!

Besos,
Jan

3 comentários:

Alvaro Alvares disse...

Bonito relato Janine.

Paulo Roberto - Parofes disse...

É isso aí Janine, a alta montanha nos mostra claramente que o imaginado é bem diferente do real!
Mas você foi muito bem pra primeira vez e tenho certeza de que se o tempo tivesse colaborado, teria chegalo lá.
Volte no próximo ano!
Abraços

Marilin Novak disse...

Ehhhhhh... gostei de ver o alto astral. Parabéns pela experiência.
Beijos

... "Superfície azul do céu, asas em curva de dores, Fernão Capelo levanta e voa, porque voar é importante, mais que comer e viver.

Caro é pensar diferente, viver em infinitos, voar dias inteiros só aprendendo a voar. Gaivota que se preza tem de sentir as estrelas, analisar paraísos, conquistar múltiplos espaços.

Gaivota que se preza precisa buscar perfeição. Importante é olhar de frente, em uma, em dez, cem mil vidas.

... nada é limite: voa, treina, aprende, paira sobre o comum do viver.

Se o destino é o infinito, o caminho é nas alturas!"

(Fernão Capelo Gaivota)

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"Time stand still... I'm not looking back, but I want to look around me now, see more of the people and the places that surround me now...Time stand still...Freeze this moment a little bit longer, Make each sensation a little bit stronger, Experience slips away...The innocence slips away..."

(Rush and Climbing - since 1993)

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