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terça-feira, 18 de setembro de 2012

Impressões - Campeonato Mundial Paris 2012

Salut!

Na última semana, estive totalmente imersa nos acontecimentos intensos de mais um Campeonato Mundial... como sempre, surpreendente!

Esta foi uma viagem repleta de escalada, caminhada, algumas corridas  e muitos deslocamentos...

Escalei bastante na primeira semana em Kalymnos, na Grécia, com minha parceria Sandrinha, experimentando vias esportivas no meu limite para testar minha performance na rocha e aproveitar esse paraíso internacional da escalada esportiva.


    (9b à vista na Sikati Cave - Kalymnos)

 Ir embora de Kalymnos não foi fácil e essa mudança de destino, trazendo as memórias dessa semana paradisíaca para imergir na realidade parisiense, foi bem contrastante e, por isso, um pouco conflitante para mim ... Lidar com essa transição  foi bem interessante...

                (Esperando a hora de voar para Paris, na praia de Kos, despedindo-me da ilha de kalymnos, avistada ao longe na foto)

 Após desperdir-me do solo grego e aclimatar-me em Paris, mergulhei no universo da escalada de competição, encontrando companheiros do mundo todo durante o campeonato mundial.
 E haja inspiração assistindo tantas feras!

Como tive um problema na bateria do meu laptop em Paris, deixei as coisas acontecerem, curtindo  cada momento sem  perder tempo procurando por lanhouses por lá...

Hoje, consegui parar rapidamente para escrever, após uma breve parada em Nova York.  Daqui, sigo para o Brasil e, como sei que muito trabalho me espera e o tempo será curto para escrever para o blog com calma, aproveito essa pausa para contar sobre minhas impressões do Campeonato este ano.

Por um lado, aproveitei muito essas 'férias', apesar de ter mantido o trabalho em Kalymnos via email.

Na medida do possível, postei novidades pelo celular, e confesso que relaxei sabendo que  brazuca Thais Makino ía narrando com primor nossas andanças por Paris, postando suas impressões la no site do Webventure - http://www.webventure.com.br/montanhismo/n/brasil-conquista-primeira-medalha-no-mundial-de-escalada/31670

Na página da Thais, podemos conferir  um relato sobre seu desempenho representando o Brasil nos boulders do campeonato mundial: http://www.webventure.com.br/comunidade/blog/home/id/78/t/Resumo+Campeonato+Mundial+Escalada/#6863

 (Thais Makino em ação no boulder 2)

De qualquer forma, escrever sobre minha visão sobre o campeonato de dificuldade, categoria na qual representei o Brasil mais este ano, ajuda a reforçar o que há muito tempo já sabemos - temos muito potencial, mas o contato com o estilo das vias de um campeonato tem que ser mais constante para conquistarmos a  evolução, e a dedicação a treinamentos tem que ser praticamente integral.

Contudo, essa nao é a realidade brazuca ainda. Continuo acreditando que, com foco e muito trabalho, conseguiremos chegar lá!

Fazemos nosso possível como atletas e ficamos muito felizes por mais uma vez estar ao lado de tantos atletas internacionais, no meu caso, graças a muito trabalho, apoio familiar e do IFSC - International Federation of Sport Climbing - www.ifsc-climbing.com, que, por mais um ano, ofereceu um fundo de solidariedade para que o Brasil estivesse presente.

Sem dúvida, o IFSC tem trabalhado com afinco para provar a organização do esporte e demonstrá-la ao COI que, em 2013 escolherá uma nova modalidade para estar nas Olimpíadas de 2020 - e a escalada figura entre as 8 modalidades na 'shortlist'.

Muitos paises, como a Colômbia - representada este ano pela minha querida parceira de quarto em Paris, Marcela Avalleneda - receberam o fundo para estar nesse Campeonato incrivel!

Apesar de ter achado a organização este ano (no quesito recepção e atenção aos atletas) mais deficiente do que a do ano passado em Arco,  o espetáculo para o público foi muito melhor!

A escalada esportiva lotou o Palais Omnisports em Paris Bercy, com público pagante e extremamente empolgado para acompanhar todos os escaladores do mundo.
A vibração dentro do ginásio foi marcante.

E dá-lhe autógrafo brasileiro para a criançada empolgada na saída da vias e boulders!!! rs

Eu, a Thaisinha, o Rapha e o Pedro representamos o Brasil com muita paixão e união... e com algumas surpresas muito boas também!




CATEGORIA DIFICULDADE FEMININA

As qualificatórias femininas de dificuldade foram graduadas em 8a+ , sendo que algumas competidoras realizaram suas cadenas em flash (nessa etapa, as competidoras assistem umas às outras).

Estou muito imersa na escalada em rocha no último ano, escalando vias difíceis, contudo,  mais diluídas e selecionadas conforme meu estilo.
Por essa razão,  fisicamente,  senti bastante a pancada das vias neste campeonato, mas acredito que meu psicológico  me possibilitou, ao menos,  realizar muitos movimentos que no passado teriam me derrubado.

Aí esta mais um ponto que as atletas internacionais de ponta possuem em vantagem -  elas têm um psicológico muito bom para administrar o 'pânico' durante as dificuldades das vias, pois convivem muito com esse estilo de escalada, sabendo mais ou menos o que esta por vir... além, claro,  de um acompanhamento profissional completo, com treinamento planilhado e dividido em turnos durante o dia.

Em uma análise mais profunda sobre o formato das vias, utilizando a informação sobre o grau nas classificatórias, concluí que escalar alguns 7c's (FR) / (9a brasil) em flash, ou mesmo escalar vias em torno desse grau  à vista na rocha (performance que atingi no último ano), é pouco para chegar às semis de uma copa do mundo, principalmente de um mundial, campeonato que é muito mais concorrido por ser uma etapa única ranqueando o atleta.

(Abaixo, eu em ação na 1ª via qualificatória feminina)

 




Para chegar a classificar-se no feminino de dificuldade no mundial de escalada, acredito que o  mínimo  é realizar constantemente 9b's em flash, daqueles sem respiro, e voltar a ficar 'internada' no ginásio simulando vias desta dificuldade, com uma imensa variedade de movimentos. Esta pode ser uma boa receita inicial sobre treinamento para as meninas que sonham em se classificar paras as vias da semi final no mundial de escalada.

Foi mais ou menos assim que cheguei às semis de duas etapas da copa do mundo em 2006, totalmente focada em escalada em resina e em treinamento específico, na época, com patrocínio da Brasil Telecom que me possibilitou focar com motivação nos treinos indoor.

Diferente das vias em rocha, as vias do campeonato mundial não oferecem pontos de respiro esparsos.

Fiquei feliz em alcancar em flash cerca de 45 % das duas vias qualificatórias... Sem dúvida, a gente sempre pensa que daria pra ir mais um pouquinho...rsrs

No meu caso, sendo realista, na primeira via, não dava pra ir nem mais um movimento -  acredito que escalei rapidadamente e se parasse para tentar descansar, teria caído antes.

Já na segunda classificatória, acredito que se eu tivesse descansado um pouco antes do movimento que caí (em um ponto que até dava pra balançar um pouco mais os braços), eu teria prosseguido até o teto. Tudo suposição, claro!

Porém, fiz uma logistica para encarar essas vias  e mentalizei um `toca toca`, sabendo que eu estava em uma semana cansada e sem muita resistência por ter escalado 'a muerte' em Kalymnos na semana anterior....rs

No melhor dos casos, com foco total no campeonato nessa semana,  eu teria subido umas 4 colocacões, mas teria deixado de escalar algumas vias incriveis em Kalymnos... Minha opção continua sendo administrar a rocha com a competição...

Essa foi minha escolha este ano -   não me poupar para viver a escalada em rocha de forma intensa, sabendo que, com essa semana de escalada em rocha, eu não chegaria em Paris com 100% de performance.

Contudo, por outro lado, eu me sentia forte e aclimatada ao fuso europeu, e isso foi legal para encarar os lances pancadas desses 10a's até o mais longe possível.

O que me surpreendeu desta vez, e confesso que `chacoalha minhas ideias`,  foi que desci das vias já novamente envolvida com performance e busca por evolução especifica para encarar essa pancada mais uma vez daqui a 2 anos.

É um vício... Você fica um tempo sem experimentar e acha que consegue ficar sem... mas aí, vc experimenta e quer mais... rs...

Uma grande inspiração para mim este ano foi assistir de perto, lance a lance, a escaladora Cecile Avezou da França, atleta profissional de 40 anos que continua competindo em todas as categorias da escalada esportiva - dificuldade, boulder e velocidade.
Foi justamente essa atleta experiente que venceu no overall feminino este ano em Paris.

Conhecendo essa figura de outros tempos, finalmente fui bater uma foto com ela este ano...Conversamos um pouco, eu contei que também tenho uma filha (ela tem 3!!!) e  perguntei como ela administra a vida de escaladora profissional, a  maternidade e como mantinha-se no dia a dia.

Ela disse que ama escalar, que é isso que a faz feliz e que, por isso, não trabalha para se dedicar à escalada, com apoio financeiro da família e da federação para competir...

"AMAZING", eu respondi, com os olhos brilhando pela sua vivacidade, receptividade e brilho.


(Eu, Cecile e Thais Makino)

(Cecile lendo um dos boulders do campeonato)

Esse contato foi importante para mim nessa trip, também para reafirmar que não existe milagre ou super heroína, é preciso abdicação, oportunidade e apoio. Nenhuma novidade, mas é sempre bom lembrar.

Contudo, sem dúvida, o momento mais especial nessa trip foi acompanhar de perto a classificação do Raphael Nishimura para as finais do paraclimbing!

Foi muito emocionante! Eu sabia que iria ser intenso, pois no ano passado, mesmo sem um brazuca competindo, eu chorei ao ver o paraclimbing em Arco.

E este ano, foi ainda mais especial, pois estive ali, lado a lado, envolvida com esse incrivel universo de superação.

PARACLIMBING: Raphael Nishimura é vice campeão mundial de escalada

O Rapha apavarou, surprendeu o estadio inteiro... Não havia uma pessoa por ali que não o conhecia ou não o admirava... E eu e a Thais tivemos a alegria de estar ali ao lado desse guerreiro, unidos por uma mesma paixao. "Brasil é prata no campeonato mundial!!!"... Inesquecível...

Não deixem de conferir os relatos do Raphael no seu site: www.escalango.com

O atleta estava muito focado e empolgado, transmitindo sempre uma energia muito positiva, emanando felicidade e contagiando quem estivesse em volta.
Valeu, Rapha,  por compartilhar conosco esses momentos...


Sua vitória, bravura e companhia me inspiram muito a estar novamente no Campeonato Mundial de Dificuldade e Paraclimbing que acontecerá daqui a  2 anos na Espanha!!!

Acompanhar o Paraclimbing de perto é sempre  uma lição de vida!



(O brasileiro Rapha no pódium do mundial recebendo a medalha de prata)

Para mim,  o Campeonato Mundial de dificuldade em 2014 pode ser uma bela oportunidade de comemorar meus 40 anos, quiçá, escalando muito e  praticando muito esporte outdoor... Até lá, tem muita água para rolar, mas, após essa vivência, fiquei empolgada!

Há muito trabalho para ser feito no Brasil para que os atletas possam representar o Brasil com mais condições. Aos poucos, a 'casa' será organizada para as futuras gerações da escalada esportiva, e quem sabe, para as Olimpiadas de 2020!

Voilá ... Vamos ao trabalho, então!

Por hora, os resultados deste campeonato podem ser conferidos detalhadamente no site do IFSC - www.ifsc-climbing.com .

Valeu Thaisinha, Rapha, Maurício, Pedro e Fernando pela companhia brazuca em mais essa linda experiência de vida!




(Eu e Thais em rolê  básico pela Torre Eiffel)


 Au revoir!!!

domingo, 9 de setembro de 2012

Escalada em Kalymnos, Grécia......



 
Kalimera!!
Como é bom sair na rua principal de Massouri e escutar os habitantes misturados aos turistas e escaladores cumprimentando-se com um bom dia em grego! Kalimera pra cá, Kalimera pra lá, e o sol iluminando o marzão...

Nessa época do ano em Massouri - vila de Kalymnos onde fiquei nessa semana de escalada-, o grande astro ‘fica escondido’ durante a manhã atrás das montanhas rochosas que rodeiam essa vila. Por isso, para escalar em grande parte dos setores mais próximos, é aconselhável acordar cedo para aproveitar a sombra e otimizar as cadenas!

Massouri abriga grande parte dos setores de escalada de Kalymnos, entre eles, Panorama, Grande Grotta, Afternoon, Spartan Wall e Odisseya são os que pude escalar com a Sandra nessa semana maravilhosa, encaixando um dia ainda mais especial e marcante no qual fomos até a Sikati Cave, no norte da ilha.

Os dois primeiros dias de escalada, para mim, tiveram que ser de ‘aclimatação’. Ao mesmo tempo que eu estava muito fanática para escalar no limite, eu sabia que meu corpo precisava de um tempo para superar o jetlag depois de 2 dias de viagem para chegar aqui.

VIAGEM: A epopéia começou com um vôo pousando em Paris no dia 30 de agosto.

Organizei uma passagem de ida e volta via Paris, devido a minha programação para participar no mundial na cidade luz, na última semana dessa trip de 18 dias.

Após algumas horas em solo francês, peguei um vôo de 4 horas para Atenas pousando às 23 hs em solo grego, seguido de uma noite ‘roots’ esticada nos bancos do aeroporto para já estar cedinho no aeroporto na manhã seguinte para pegar outro vôo para a ilha de KOS (melhor que sentada no avião, né?!).

Confesso que apaguei e, nas poucas vezes que acordei, percebi a chegada de outros ‘hóspedes em trânsito’ dormindo profundamente no terminal.

Adquiri o ticket para Kos pelo site www.rapid10.com.br que me ofereceu opções de forma segura e eficiente. Financeiramente falando, o problema deste tipo de trecho aéreo na Europa não são só as tarifas – que saindo de Paris, ida e volta, giram em torno de E 220,00 (dependendo da antecedência da compra) -, mas sim as taxas de embarque e de serviço, que praticamente dobram o valor total da passagem.

Em contato com os locais da ilha de Kalymnos, vim a saber sobre formas muito mais baratas de chegar à ilha caso não seja necessário vir de Paris. Pela Itália, por exemplo, via Bergamo, os vôos pela RianAir são bem baratos – em torno de E100,00 ida e volta.

Outra opção é vir da Turquia, mas todas essas opções não se encaixavam para mim nesta trip, onde programei um vôo de volta por Paris.

Contudo, no meu caso, com pouco tempo para conhecer a ilha e com economia já feita na passagem do Brasilpara Paris, preferi comprar o trecho Paris- Kos com antecedência do Brasil, para não correr o risco de ficar sem passagem, afinal de contas, conhecer um pouco de Kalymnos era meu objetivo nessa viagem.

Conforme minhas pesquisas, uma vez em Paris, a Air France acaba sendo uma das melhores opções para voar até Atenas. Em seguida, fiz o trecho Atenas-Kos (1 hora) pela companhia Olimpic Air.

Voei este último trecho totalmente FASCINADA com a quantidade de ilhas gregas lá embaixo – nesse momento, meus olhos marejaram, meu coração encheu-se de realização por ter essa oportunidade, pensei na minha filha e no meu companheiro, refleti sobre as razões, dificuldades e realizações que me ajudaram a estar ali, exatamente ali, chegando a um destino no qual eu tanto pensara por anos de vida como escaladora. Felicidade.


ENCONTRO COM MINHA PARCEIRA DE ESCALADA EM KALYMNOS

Pousei em KOS às 9h30am, peguei rapidamente minha mochila na esteira e corri para pegar um taxi rumo ao porto:

“- Mastichari Port, please. How much?”, perguntei ao taxista.

“- 16 euros, about 8 kms. What time is your boat?”, perguntou-me ele.

“I want to take the boat at 11h to Kalymnos. I have an important meeting in the ferry this time.”

E lá estava eu, às 10 hs, no porto de Mastichari, a cerca de 30 minutos de barco da ilha de Kalymnos, a qual podemos avistar já do porto de Kos.

“Ufa, nenhum vôo atrasou, nenhuma bagagem extraviou, tudo deu certo até agora. Se tudo correr conforme combinado, a Sandrinha deve estar no ferryboat vindo de Rodhes, e já já vamos nos encontrar.”

Comprei o ticket das 11hs pela Dolphin Ferry direto no guichet do porto por E 6,00, bem mais barato do que eu havia visto pela internet!

Quando cheguei no ponto onde os barcos ancoram para entrada dos passageiros, percebi que o barco já estava lá, sem a Sandrinha. Conclui que o navio que a traria ainda não havia chegado de Rodhes e que nosso encontro teria que ser no porto de Kalymnos mesmo (e que ela pensaria que eu não tinha chegado do aeroporto de Kos a tempo para pegar o barco das 11h para encontrá-la).

Cheguei sozinha no porto de Kalymnos e os donos do Studio que estamos hospedadas já estavam lá aguardando para nos levar para a vila de Massouri.

Em 20 minutos, o ferry boat que a Sandra deveria estar chegou... De olho nos passageiros saindo, lá estava a San com seu mochilão nas costas, seu sorriso no rosto e nosso encontro concretizado.


Após eu superar o jetlag e reconhecermos o estilo de escalada em Kalymnos, em 2 dias já nos sentíamos em casa.

ESCALADA: As vias esportivas longas, de cerca de 40 metros, são as que mais ‘fizeram a minha cabeça’... e Kalymnos está forrada delas!!! Além das chorreras intermináveis, dos pêndulos incríveis para desequipar as vias negativas, também escalei algumas poucas vias mais curtas, como a ‘Alfredo Alfredo’ na Odisseia – 8c (BR) boulderístico e, para mim, mais desafiador, justamente por ser mais curta e grossa.

Minha estratégia em Kalymnos, considerando cerca de uma semana de escalada nesse paraíso, seria começar os dias com foco em avistar 8c´s (o que, de fato, é bem viável para quem tem resistência e boa recuperação em vias longas), conhecer alguns 9a´s e 9b´s, e dependendo da performance da 1ª entrada, tentar o redpoint no mesmo dia aproveitando para treinar movimentos de força/continuidade, e, assim, ter tempo para também para curtir os belos 7ºs e 8ºs dos setores visitados com a Sandrinha.



Entre os nonos, entrei na maravilhosa clássica Aegialis – 9a da Grande Grotta, após realizar dois 8c´s de 40 metros à vista, ali do lado, no setor Panorama: Super Carpe Diem e Joggen&Toggel.

Entrei na Aegialis com sol (que bomba na via após às 14hs), e cai absolutamente tijolada a poucas costuras do final... Esta é uma das vias que me deixou com vontade de voltar para experimentá-la novamente... realmente maravilhosa!


SIKATI CAVE

Este setor encravado nas montanhas teve sua primeira via aberta em 2006 e foi descoberto por escaladores gregos que passavam de barco próximo à Sikati Bay.

Uma das hipóteses para o gigantesco buraco com diâmetro de 50 a 60 metros no meio das montanhas é o impacto de um meteoro gigante que caiu no local ... Achei realmente impressionante e curiosa tal formação, não só de dentro da caverna com estalagtites gigantes, como principalmente, vendo-se de fora, durante a aproximação.


O dia rumo a Sikati Cave começou com o aluguel de duas scooters por E 12,00 cada, sendo esse um momento especial não somente por causa do destino e passeio, como pelo fato da San nunca ter dirigido qualquer tipo de moto na vida... rs... :-/



Ela foi cuidadosa, eu fui acompanhando seu ritmo, e, como a estrada é bem vazia, fomos super tranqüilas com nossas mochilas e equipos de escalada até o parking da cave.

Mais uma vez, seguimos as dicas do ótimo guia de Kalymnos (E 35,00) com referências a seguir para realizar a trilha de 40 minutos que leva à Sikati Cave, e em baixo de um sol de rachar, avistamos a boca desta caverna. A praia, a 8 minutos de trilha da entrada da cave, é de um visual paradisíaco!

Mas que praia o que!? A gente quer mesmo é a sombra da caverna e suas vias espetaculares!

Descemos pelas cordas que auxiliam a ‘desescalaminhada’ até a base da caverna e, famintas, mandamos ver um sanduíche de atum enquanto íamos identificando as vias no guia.

Sabendo pelo 8a.nu que era uma via muito avistável na caverna, fui procurar o início da via Morgan Adam est une Andalouise, que, conforme nosso guia edição 2010, sugeria 7b+ para a 1ª parte (no guia nomeada como Morgan), 7c+ seguindo para sua 1ª extensão (no guia:Adam) e 8b para a 2ª extensão que totaliza 70 metros de escalada.

Entrei para tentar realizar a 1ª parte, um pouco receosa, pois um grupo de americanos que tentava o 7c+ me informou que um dos pontos de costura do meio da linha estava sem a chapeleta. Logo, haveria um esticão.

Entrei, fluindo bem e demorei um tempo descansando em uma biiig estalagtite no meio da via, analisando a movimentação. Visualizei um parafuso, logo ali, sem a chapa. Com palavras incentivadoras da San na segue lembrando sobre controle psicológico e potencial físico, conclui que, realmente, dava pra seguir e toquei pra cima. Protegida, enfim, pelo bolt seguinte, voltei meu foco puramente para os lances e logo costurei a parada da 1ª parte, tocando sem pensar para a extensão. Me encaixei bem em uma movimentação que mudava a dificuldade da via, exigindo mais tensão corporal e explosão. Passados esses lances de crux, administrei o finalzinho e costurei a parada da extensão, feliz, com uma super vibe na base!

De lá, era a vez da San tentar um projeto na caverna – a El Choco Loco, 6b+. Ela saiu sacando, super sólida, e por um erro de posicionamento de pés, caiu no final. Mais um aprendizado e uma super parceria, com volta pela trilha com o sol se pondo, e retorno motorizado pela noite kalimiana rumo a Massouri Village.

Entre tantos setores de escalada, tantas vias espetaculares para desvendar nessa ilha, cheguei a lamentar por ter tão pouco tempo por aqui. Foi 1 semana de sonho! Esse foi o meu tempo este ano e eu estou muito feliz. Confesso que cheguei a cogitar seriamente em trocar a participação no mundial por mais uma semana aqui.

Porém, este deve ser meu último ano competindo no mundial e estar lá também será maravilhoso, principalmente por estar ao lado do Felipinho, da Thais Makino, do Pedro e do Rapha.

Me despeço de  kalymnos, já com saudade... este é,  com certeza, um lugar que pretendo voltar em breve!



Confiram o blog da Sandrinha contando mais sobre nossa semana por aqui, com dicas sobre alimentação, clima, estadia e curiosidades de Kalymnos em: www.sandraclimbtrip.tumblr.com

Estou a caminho de Paris para o Campeonato Mundial e, na medida do possível, vou postando novidades!!!
De qualquer forma, o site ww-ifsc-tv.com trasmite ao vivo tudiinho

kmon e 'Au revoir'…….

... "Superfície azul do céu, asas em curva de dores, Fernão Capelo levanta e voa, porque voar é importante, mais que comer e viver.

Caro é pensar diferente, viver em infinitos, voar dias inteiros só aprendendo a voar. Gaivota que se preza tem de sentir as estrelas, analisar paraísos, conquistar múltiplos espaços.

Gaivota que se preza precisa buscar perfeição. Importante é olhar de frente, em uma, em dez, cem mil vidas.

... nada é limite: voa, treina, aprende, paira sobre o comum do viver.

Se o destino é o infinito, o caminho é nas alturas!"

(Fernão Capelo Gaivota)

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"Time stand still... I'm not looking back, but I want to look around me now, see more of the people and the places that surround me now...Time stand still...Freeze this moment a little bit longer, Make each sensation a little bit stronger, Experience slips away...The innocence slips away..."

(Rush and Climbing - since 1993)

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