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domingo, 9 de setembro de 2012

Escalada em Kalymnos, Grécia......



 
Kalimera!!
Como é bom sair na rua principal de Massouri e escutar os habitantes misturados aos turistas e escaladores cumprimentando-se com um bom dia em grego! Kalimera pra cá, Kalimera pra lá, e o sol iluminando o marzão...

Nessa época do ano em Massouri - vila de Kalymnos onde fiquei nessa semana de escalada-, o grande astro ‘fica escondido’ durante a manhã atrás das montanhas rochosas que rodeiam essa vila. Por isso, para escalar em grande parte dos setores mais próximos, é aconselhável acordar cedo para aproveitar a sombra e otimizar as cadenas!

Massouri abriga grande parte dos setores de escalada de Kalymnos, entre eles, Panorama, Grande Grotta, Afternoon, Spartan Wall e Odisseya são os que pude escalar com a Sandra nessa semana maravilhosa, encaixando um dia ainda mais especial e marcante no qual fomos até a Sikati Cave, no norte da ilha.

Os dois primeiros dias de escalada, para mim, tiveram que ser de ‘aclimatação’. Ao mesmo tempo que eu estava muito fanática para escalar no limite, eu sabia que meu corpo precisava de um tempo para superar o jetlag depois de 2 dias de viagem para chegar aqui.

VIAGEM: A epopéia começou com um vôo pousando em Paris no dia 30 de agosto.

Organizei uma passagem de ida e volta via Paris, devido a minha programação para participar no mundial na cidade luz, na última semana dessa trip de 18 dias.

Após algumas horas em solo francês, peguei um vôo de 4 horas para Atenas pousando às 23 hs em solo grego, seguido de uma noite ‘roots’ esticada nos bancos do aeroporto para já estar cedinho no aeroporto na manhã seguinte para pegar outro vôo para a ilha de KOS (melhor que sentada no avião, né?!).

Confesso que apaguei e, nas poucas vezes que acordei, percebi a chegada de outros ‘hóspedes em trânsito’ dormindo profundamente no terminal.

Adquiri o ticket para Kos pelo site www.rapid10.com.br que me ofereceu opções de forma segura e eficiente. Financeiramente falando, o problema deste tipo de trecho aéreo na Europa não são só as tarifas – que saindo de Paris, ida e volta, giram em torno de E 220,00 (dependendo da antecedência da compra) -, mas sim as taxas de embarque e de serviço, que praticamente dobram o valor total da passagem.

Em contato com os locais da ilha de Kalymnos, vim a saber sobre formas muito mais baratas de chegar à ilha caso não seja necessário vir de Paris. Pela Itália, por exemplo, via Bergamo, os vôos pela RianAir são bem baratos – em torno de E100,00 ida e volta.

Outra opção é vir da Turquia, mas todas essas opções não se encaixavam para mim nesta trip, onde programei um vôo de volta por Paris.

Contudo, no meu caso, com pouco tempo para conhecer a ilha e com economia já feita na passagem do Brasilpara Paris, preferi comprar o trecho Paris- Kos com antecedência do Brasil, para não correr o risco de ficar sem passagem, afinal de contas, conhecer um pouco de Kalymnos era meu objetivo nessa viagem.

Conforme minhas pesquisas, uma vez em Paris, a Air France acaba sendo uma das melhores opções para voar até Atenas. Em seguida, fiz o trecho Atenas-Kos (1 hora) pela companhia Olimpic Air.

Voei este último trecho totalmente FASCINADA com a quantidade de ilhas gregas lá embaixo – nesse momento, meus olhos marejaram, meu coração encheu-se de realização por ter essa oportunidade, pensei na minha filha e no meu companheiro, refleti sobre as razões, dificuldades e realizações que me ajudaram a estar ali, exatamente ali, chegando a um destino no qual eu tanto pensara por anos de vida como escaladora. Felicidade.


ENCONTRO COM MINHA PARCEIRA DE ESCALADA EM KALYMNOS

Pousei em KOS às 9h30am, peguei rapidamente minha mochila na esteira e corri para pegar um taxi rumo ao porto:

“- Mastichari Port, please. How much?”, perguntei ao taxista.

“- 16 euros, about 8 kms. What time is your boat?”, perguntou-me ele.

“I want to take the boat at 11h to Kalymnos. I have an important meeting in the ferry this time.”

E lá estava eu, às 10 hs, no porto de Mastichari, a cerca de 30 minutos de barco da ilha de Kalymnos, a qual podemos avistar já do porto de Kos.

“Ufa, nenhum vôo atrasou, nenhuma bagagem extraviou, tudo deu certo até agora. Se tudo correr conforme combinado, a Sandrinha deve estar no ferryboat vindo de Rodhes, e já já vamos nos encontrar.”

Comprei o ticket das 11hs pela Dolphin Ferry direto no guichet do porto por E 6,00, bem mais barato do que eu havia visto pela internet!

Quando cheguei no ponto onde os barcos ancoram para entrada dos passageiros, percebi que o barco já estava lá, sem a Sandrinha. Conclui que o navio que a traria ainda não havia chegado de Rodhes e que nosso encontro teria que ser no porto de Kalymnos mesmo (e que ela pensaria que eu não tinha chegado do aeroporto de Kos a tempo para pegar o barco das 11h para encontrá-la).

Cheguei sozinha no porto de Kalymnos e os donos do Studio que estamos hospedadas já estavam lá aguardando para nos levar para a vila de Massouri.

Em 20 minutos, o ferry boat que a Sandra deveria estar chegou... De olho nos passageiros saindo, lá estava a San com seu mochilão nas costas, seu sorriso no rosto e nosso encontro concretizado.


Após eu superar o jetlag e reconhecermos o estilo de escalada em Kalymnos, em 2 dias já nos sentíamos em casa.

ESCALADA: As vias esportivas longas, de cerca de 40 metros, são as que mais ‘fizeram a minha cabeça’... e Kalymnos está forrada delas!!! Além das chorreras intermináveis, dos pêndulos incríveis para desequipar as vias negativas, também escalei algumas poucas vias mais curtas, como a ‘Alfredo Alfredo’ na Odisseia – 8c (BR) boulderístico e, para mim, mais desafiador, justamente por ser mais curta e grossa.

Minha estratégia em Kalymnos, considerando cerca de uma semana de escalada nesse paraíso, seria começar os dias com foco em avistar 8c´s (o que, de fato, é bem viável para quem tem resistência e boa recuperação em vias longas), conhecer alguns 9a´s e 9b´s, e dependendo da performance da 1ª entrada, tentar o redpoint no mesmo dia aproveitando para treinar movimentos de força/continuidade, e, assim, ter tempo para também para curtir os belos 7ºs e 8ºs dos setores visitados com a Sandrinha.



Entre os nonos, entrei na maravilhosa clássica Aegialis – 9a da Grande Grotta, após realizar dois 8c´s de 40 metros à vista, ali do lado, no setor Panorama: Super Carpe Diem e Joggen&Toggel.

Entrei na Aegialis com sol (que bomba na via após às 14hs), e cai absolutamente tijolada a poucas costuras do final... Esta é uma das vias que me deixou com vontade de voltar para experimentá-la novamente... realmente maravilhosa!


SIKATI CAVE

Este setor encravado nas montanhas teve sua primeira via aberta em 2006 e foi descoberto por escaladores gregos que passavam de barco próximo à Sikati Bay.

Uma das hipóteses para o gigantesco buraco com diâmetro de 50 a 60 metros no meio das montanhas é o impacto de um meteoro gigante que caiu no local ... Achei realmente impressionante e curiosa tal formação, não só de dentro da caverna com estalagtites gigantes, como principalmente, vendo-se de fora, durante a aproximação.


O dia rumo a Sikati Cave começou com o aluguel de duas scooters por E 12,00 cada, sendo esse um momento especial não somente por causa do destino e passeio, como pelo fato da San nunca ter dirigido qualquer tipo de moto na vida... rs... :-/



Ela foi cuidadosa, eu fui acompanhando seu ritmo, e, como a estrada é bem vazia, fomos super tranqüilas com nossas mochilas e equipos de escalada até o parking da cave.

Mais uma vez, seguimos as dicas do ótimo guia de Kalymnos (E 35,00) com referências a seguir para realizar a trilha de 40 minutos que leva à Sikati Cave, e em baixo de um sol de rachar, avistamos a boca desta caverna. A praia, a 8 minutos de trilha da entrada da cave, é de um visual paradisíaco!

Mas que praia o que!? A gente quer mesmo é a sombra da caverna e suas vias espetaculares!

Descemos pelas cordas que auxiliam a ‘desescalaminhada’ até a base da caverna e, famintas, mandamos ver um sanduíche de atum enquanto íamos identificando as vias no guia.

Sabendo pelo 8a.nu que era uma via muito avistável na caverna, fui procurar o início da via Morgan Adam est une Andalouise, que, conforme nosso guia edição 2010, sugeria 7b+ para a 1ª parte (no guia nomeada como Morgan), 7c+ seguindo para sua 1ª extensão (no guia:Adam) e 8b para a 2ª extensão que totaliza 70 metros de escalada.

Entrei para tentar realizar a 1ª parte, um pouco receosa, pois um grupo de americanos que tentava o 7c+ me informou que um dos pontos de costura do meio da linha estava sem a chapeleta. Logo, haveria um esticão.

Entrei, fluindo bem e demorei um tempo descansando em uma biiig estalagtite no meio da via, analisando a movimentação. Visualizei um parafuso, logo ali, sem a chapa. Com palavras incentivadoras da San na segue lembrando sobre controle psicológico e potencial físico, conclui que, realmente, dava pra seguir e toquei pra cima. Protegida, enfim, pelo bolt seguinte, voltei meu foco puramente para os lances e logo costurei a parada da 1ª parte, tocando sem pensar para a extensão. Me encaixei bem em uma movimentação que mudava a dificuldade da via, exigindo mais tensão corporal e explosão. Passados esses lances de crux, administrei o finalzinho e costurei a parada da extensão, feliz, com uma super vibe na base!

De lá, era a vez da San tentar um projeto na caverna – a El Choco Loco, 6b+. Ela saiu sacando, super sólida, e por um erro de posicionamento de pés, caiu no final. Mais um aprendizado e uma super parceria, com volta pela trilha com o sol se pondo, e retorno motorizado pela noite kalimiana rumo a Massouri Village.

Entre tantos setores de escalada, tantas vias espetaculares para desvendar nessa ilha, cheguei a lamentar por ter tão pouco tempo por aqui. Foi 1 semana de sonho! Esse foi o meu tempo este ano e eu estou muito feliz. Confesso que cheguei a cogitar seriamente em trocar a participação no mundial por mais uma semana aqui.

Porém, este deve ser meu último ano competindo no mundial e estar lá também será maravilhoso, principalmente por estar ao lado do Felipinho, da Thais Makino, do Pedro e do Rapha.

Me despeço de  kalymnos, já com saudade... este é,  com certeza, um lugar que pretendo voltar em breve!



Confiram o blog da Sandrinha contando mais sobre nossa semana por aqui, com dicas sobre alimentação, clima, estadia e curiosidades de Kalymnos em: www.sandraclimbtrip.tumblr.com

Estou a caminho de Paris para o Campeonato Mundial e, na medida do possível, vou postando novidades!!!
De qualquer forma, o site ww-ifsc-tv.com trasmite ao vivo tudiinho

kmon e 'Au revoir'…….

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... "Superfície azul do céu, asas em curva de dores, Fernão Capelo levanta e voa, porque voar é importante, mais que comer e viver.

Caro é pensar diferente, viver em infinitos, voar dias inteiros só aprendendo a voar. Gaivota que se preza tem de sentir as estrelas, analisar paraísos, conquistar múltiplos espaços.

Gaivota que se preza precisa buscar perfeição. Importante é olhar de frente, em uma, em dez, cem mil vidas.

... nada é limite: voa, treina, aprende, paira sobre o comum do viver.

Se o destino é o infinito, o caminho é nas alturas!"

(Fernão Capelo Gaivota)

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"Time stand still... I'm not looking back, but I want to look around me now, see more of the people and the places that surround me now...Time stand still...Freeze this moment a little bit longer, Make each sensation a little bit stronger, Experience slips away...The innocence slips away..."

(Rush and Climbing - since 1993)

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